domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Continuam as Descargas em Castelo do Bode

Depois da passagem da depressão atmosférica pelo território continental, os rios do norte e centro do pais escoam agora com bastante mais água. Como consequência as barragens do Zêzere continuam a descarregar e desta vez com as maiores descargas deste Inverno.
Através da barragem de Castelo do Bode, no dia de ontem passaram em média 635,37 m3/s, o que constitui o maior caudal efluente deste Inverno.

No dia de hoje as descargas a montante, nomeadamente na barragem do Cabril, aumentaram para valores próximos dos 600 m3/s, o que faz prever um caudal afluente ao Castelo do Bode acima dos 700 m3/s. Como este ultimo valor é superior à média de caudal que atravessou a barragem no dia de ontem é provável que no dia de hoje as descargas sejam superiores às efectuadas no dia de ontem.

sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Descargas de Hoje

A barragem de Castelo do Bode encontra-se a descarregar pela descarga de fundo e também pelo descarregador de cheias. As descargas de fundo encontram-se abertas na sua totalidade, mas o descarregador de cheias encontra-se apenas com uma das comportas abertas parcialmente.
Em baixo pode ver algumas fotos da descarga de hoje:

Nesta ultima imagem é possível ver a sucção que o descarregador de cheias provoca, através do lixo que este arrasta até à sua entrada de água.


Mas não é só Castelo do Bode que se encontra a descarregar e desta vez a barragem da Bouçã encontra-se a descarregar sobre toda a soleira. Aqui ficam algumas fotos das descargas de hoje na Bouçã:



quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Criticas à Gestão das Descargas da Barragem

A TVI lançou uma reportagem no Jornal da Uma de ontem sobre o relacionamento das cheias na baixa de Constância e as descargas de Castelo do Bode. Nesta, o comandante dos bombeiros da localidade critica a gestão das descargas de Castelo do Bode dizendo que "Castelo do Bode tem largado muito pouca água" e era necessário que "a barragem cria-se outro tipo de capacidade de água".
A reportagem pode ser vista no link abaixo, no minuto 43 do vídeo:

Jornal da Uma de 24/02/2010

À partida as pessoas são convidadas a pensar que as descargas de Castelo do Bode são as culpadas pelas cheias na baixa de Constância, mas com o desenrolar da reportagem e com a entrevista ao comandante dos Bombeiros de Constância o cenário muda e afinal as descargas por si só não provocaram as cheias. O próprio Comandante diz que não serão mais ou menos 300m3/s de água de Castelo do Bode que irão alterar o cenário de Constância provocado pelos mais de 2000m3/s que circulam no Tejo.
Afinal de contas a TVI e o Comandante dos Bombeiros estão a falar de coisas diferentes, mas ambos a criticar a gestão da barragem.

A falta de rigor e de informação estão presentes nesta reportagem que ao contrário do que seria ideal não tentou saber o porquê da maior ou menor quantidade de água que atravessa a barragem nestes dias.

Castelo do Bode em Descargas

A Barragem de Castelo do Bode começou ontem a realizar descargas pelos descarregadores de fundo.
Apesar da barragem do Cabril ainda não estar a realizar descargas, o caudal que chega ao Castelo do Bode já ascende os 200m3/s e torna-se necessário realizar descargas de forma a conter a subida do nível de água na albufeira.

quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Castelo do Bode perto do Máximo Anual

A barragem de Castelo do Bode voltou a ser notícia na comunicação social Portuguesa. A precipitação que tem atingido a região centro nestes últimos dias, já levou a uma aumento significativo do caudal de diversos cursos de água, nomeadamente do rio Zêzere e rio Tejo.
O alerta de cheias no Tejo já foi activado, deixando prever um aumento da altura de água nas albufeiras e da quantidade de água nos rios, com a continuação da precipitação.

Na albufeira de Castelo do Bode, a cota do nível de água já se encontra próxima do máximo deste Inverno. Neste momento a albufeira encontra-se apenas a 1,32m do nível de pleno armazenamento e a 0,23m do nível máximo atingido durante este Inverno.
Nas albufeiras a montante a situação é idêntica. No Cabril a cota de água encontra-se a subir rapidamente para o nível de pleno armazenamento, enquanto que na Bouçã o descarregador de superfície estar a ser usado na sua parte central.

A previsão meteorológica para os próximos dias na bacia hidrográfica do rio Zêzere é de precipitação moderada, deixando assim aberta a possibilidade de abertura das descargas de fundo no Castelo do Bode.

sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

Visita ao Complexo de Castelo do Bode em Fotos

Para todos os que nunca tiveram oportunidade de visitar o interior da barragem e Central Hidroeléctrica de Castelo do Bode, coloco aqui alguma fotos de uma visita. Durante os próximos meses o blogue irá fazer esforços para realizar uma visita aberta à população em geral.


Esta é uma das primeiras imagens que se têm ao entrar dentro da central hidroeléctrica de Castelo do Bode, com os 3 grandes grupos geradores em destaque.


No piso inferior ao de entrada na central encontram-se diversos aparelhos de controle e segurança dos grupos geradores, como por exemplo o controle de vibrações.


Nesta imagem podem ser vistas diversas tubagens de refrigeração a água, para os grupos geradores e de óleo para a movimentação das pás dos distribuidor.


Aqui estão alguns dos mostradores onde é possível ver dados como a energia produzida, a tensão e frequência na rede ou o caudal turbinado, para cada uma das turbinas.

Por debaixo do rotor encontram-se todos os órgãos mecânicos que movimentam as pás do distribuidor e o veio de ligação entre a roda da turbina e o alternador.


Pormenor do veio de ligação entre a roda da turbina e o rotor.


No piso abaixo do piso base do alternador e rotor, encontram-se algumas tubagens de entrada e saída de água das turbinas. Nesta imagem pode-se ver o inicio de um dos difusores, onde ocorre a saída de água da roda de uma turbina.


Aqui é possível ver a enorme válvula que se encontra antes da voluta da turbina.


Tubagem que se encontra antes da válvula anterior, isto é antes da turbina. Nesta tubagem é possível ver medidores de caudal incorporados.


No piso onde se encontra o rotor, estão também dois grupos geradores auxiliares, que apenas fornecem energia à barragem, também através da água da albufeira.


Antiga sala de comandos da central de Castelo do Bode, que se encontra desactivada actualmente.


Túnel de acesso ao interior do paredão de betão da barragem.


Primeiro túnel no interior da barragem que dá acesso ao elevador.


Varanda que se encontra na parte superior das comportas do descarregador de cheias, no piso 4 de acesso na barragem.


Um dos pontos de controle e monitorização da junta de betonagem denominada de O.


Comportas do descarregador da barragem, no nível 3 da mesma.


Sala de controlo manual da abertura e fecho da comportas do descarregador de cheias, localizadas junto a este.


Túnel de inspecção que percorre a parte inferior da barragem, de uma margem à outra.


Fio de prumo que percorre o interior da barragem, dentro de um túnel na vertical, onde é possível medir deslocamentos relativos no interior da mesma.

Email para Contactos

De forma a aumentar a interactividade entre os leitores e o blog foi criado um email para contactos:

castelodebode@gmail.com

Este email poderá ser usado por todos para divulgação de informação sobre Castelo do Bode, para dúvidas, questões, opiniões ou qualquer outro tipo de contacto relevante.
Com este email, coloco o desafio aos leitores de divulgarem qualquer informação que possuam sobre Castelo do Bode, que não conste no blog.

1º Aniversário do Blog

Ontem fez 1 ano que o blog Barragem de Castelo do Bode foi criado. Durante este ano foi colocada informação no blog principalmente sobre o empreendimento de Castelo do Bode, mas também sobre a sua albufeira e outras barragens nacionais e internacionais.
O balanço deste ano foi bastante positivo com o objectivo principal de criação, de aumentar a quantidade de informação disponível sobre o complexo hidroeléctrico de Castelo do Bode, a ser cumprido. Alguma da informação disponível foi fornecida por leitores do blog, que são o principal motor da continuidade deste e também pela EDP, com a disponibilidade oferecida e por isso desde já um obrigado a ambos.

As visitas no blog têm assumido uma tendência de subida desde a sua criação, com um total de 3595 visitas durante este ultimo ano e um recorde de visitas diárias de 128 no dia 14 de Janeiro.
Também o impacto que este obteve junto da imprensa escrita regional, com a divulgação de informação constante no blogue, foi um grande impulsionador da divulgação do mesmo.

Para o futuro o objectivo continuará por reunir mais informação sobre Castelo do Bode, contribuindo assim para um aumento da dimensão do blogue. Dentro de 1 a 2 anos, quando a quantidade de informação presente já tiver alguma dimensão, a conversão de blogue a website, com toda a informação organizada e disponível a todos, será outro dos objectivos de longo-prazo.

Para comemorar este ano de existência, serão colocados mais 2 posts no dia de hoje.

Obrigado a todos!

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Imagens da Barragem em Construção

Volto a apresentar mais algumas imagens da construção da barragem de Castelo do Bode.

Nesta imagem é possível ver em destaque a entrada do túnel construído na encosta da barragem, para desviar o curso do rio da zona de construção.


Vista de jusante da barragem.



quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Como Funciona a Barragem

Muito se tem falado por aqui sobre a história ou os acontecimentos na barragem, mas para se estar dentro do contexto abordado é necessário conhecer como funciona a barragem de Castelo do Bode.

A barragem de Castelo do Bode é uma barreira artificial ao curso das águas do Zêzere, pretendendo assim reter a maior quantidade de água possível a montante, de forma a conseguir aproveitar a água armazenada. Também faz parte do Complexo de Castelo do Bode a central hidroeléctrica, localizada no pé da barragem, que neste caso tem ligação directa com a barragem.
A altura de água a montante da barragem é o que fornece energia para a central hidroeléctrica, através da conversão da energia potencial da água em repouso em energia cinética da água em movimento. Assim quanto maior for a altura de água a montante, maior vai ser a capacidade da albufeira para produzir energia.
À diferença de alturas entre a superfície de água na albufeira e a turbina designa-se de queda bruta. Para a turbina poder funcionar é necessário que a queda bruta esteja dentro de um intervalo de valores, que no caso de Castelo do Bode terá que ser superior a 53 metros e inferior a 96 metros. Se for retirado ao valor da queda bruta as perdas a que o escoamento está sujeito, entre a albufeira e a turbina, como o atrito da tubagem ou a passagem brusca de uma albufeira para uma tubagem, é obtida a queda útil. Este último valor é o condicionante para a produção de energia e por isso deve ser o mais próximo possível da queda bruta, de forma a aproveitar o máximo da altura de água na albufeira.

A água depois de entrar na barragem através de um dos 3 canais interiores de betão armado, que conduzem a cada uma das turbinas, irá passar por uma válvula que regula a entrada de água para a turbina em causa. Esta válvula pode ser aberta ou fechada consoante a turbina esteja em funcionamento ou não.
Depois da válvula a água entra dentro da máquina hidráulica que contêm a turbina.



A turbina instalada na barragem de Castelo do Bode é do tipo Francis. O tipo de turbinas utilizadas depende não só da queda bruta mas também do caudal a turbinar.


A maquina hidráulica, que é a turbina, é consituída por uma câmara de entrada, uma voluta, um distribuidor com pás, a turbina, uma roda e um difusor. A água depois de entrar na câmara de entrada segue para a voluta que não é mais que uma tubagem em espiral em torno da turbina que encaminha a água para o distribuidor. O distribuidor é um órgão mecânico, situado em torno da turbina, constituído por várias pás que através da abertura ou fecho das mesmas, determina a quantidade de água a entrar para a turbina. Depois da água passar pelo distribuidor vai para as pás da roda, que se podem ver na figura acima, dando origem ao movimento de rotação da mesma por um fenómeno de acção-reacção. A água sai da turbina por baixo da roda, através de um difusor que a encaminha para o exterior, promovendo uma recuperação parcial da energia cinética.


A roda tem ligado ao seu eixo um veio que está ligado acima a um alternador. Este alternador, tal como um dínamo, através da rotação provocada pelo veio que está ligado à turbina e passando pelos pólos do alternador, produz energia eléctrica.


A variação de caudal nas turbinas também provoca variações na energia produzida e principalmente no rendimento do grupo gerador. Para a barragem de Castelo do Bode o caudal máximo turbinável em cada uma das turbinas é de 80m3/s e para este caudal o rendimento das turbinas é de aproximadamente 90%. A partir do caudal de 60m3/s até ao caudal de 16m3/s, o rendimento das turbinas vai regredindo progressivamente dos 90% iniciais até ao rendimento 0%.
Assim é possível perceber que a quantidade de água que entra nas turbinas deve ser rigorosamente controlada de forma a conseguir extrair a maior quantidade de energia da água.